Ela caiu de 10 mil metros sem paraquedas em 1972 e sobreviveu
Vesna Vulović era comissária de bordo e nem deveria estar naquele voo. O recorde dela nunca foi superado, mas a versão oficial do acidente é contestada.

Em 26 de janeiro de 1972, o voo 367 da JAT, companhia aérea da Iugoslávia, partiu de Copenhague rumo a Zagreb. Sobre a vila de Srbská Kamenice, na então Tchecoslováquia, o DC-9 se partiu no ar.
Todas as 27 pessoas a bordo morreram. Menos uma.
Ela nem deveria estar ali
Vesna Vulović tinha 22 anos e era comissária de bordo havia menos de um ano. Ela não estava escalada para o voo 367. Houve confusão com o nome de outra comissária também chamada Vesna, e ela acabou embarcando no lugar da colega.
Contou depois que ficou satisfeita com a troca. Nunca tinha ido a Dinamarca.
A queda
A aeronave se partiu a cerca de 10 mil metros de altitude. Vulović estava na parte traseira, e ficou presa dentro daquele trecho da fuselagem, imobilizada por um carrinho de serviço que a prensou contra a estrutura.
Foi essa combinação improvável que a salvou. Ela não caiu solta no ar: caiu dentro de uma cápsula de metal, presa no lugar. A seção atingiu uma encosta íngreme, coberta de neve e vegetação, num ângulo que espalhou o impacto ao longo do terreno em vez de concentrá-lo num ponto.
Um morador da região, Bruno Honke, que tinha sido enfermeiro na Segunda Guerra, ouviu gritos entre os destroços e a encontrou. Ele prestou o primeiro atendimento até a chegada do socorro.
Vulović ficou em coma por 27 dias. Fraturou o crânio, três vértebras, as pernas e a bacia, e ficou paralisada da cintura para baixo.
A recuperação
Ela voltou a andar. A recuperação levou anos e nunca foi completa, mas foi suficiente para que retomasse a vida.
Quis voltar a voar. A companhia não permitiu que trabalhasse a bordo e a transferiu para um escritório, negociando contratos de carga.
Um detalhe que ela repetiu em todas as entrevistas: não guardava nenhuma lembrança do acidente. A memória dela vai do embarque em Copenhague direto ao hospital, um mês depois. Vulović dizia que isso foi uma sorte, e que por causa disso nunca teve medo de avião.
Morreu em Belgrado em 23 de dezembro de 2016, aos 66 anos.
O detalhe que amarra tudo
Existe uma disputa sobre esse recorde que raramente é contada, e ela merece estar aqui.
Em 2009, os jornalistas Peter Hornung e Pavel Theiner publicaram uma investigação sustentando que o avião não estava a 10 mil metros. Segundo eles, a aeronave voava a algo em torno de 800 metros quando foi atingida, e a versão oficial teria sido construída pelas autoridades da época.
A tese é contestada e o Guinness manteve o registro. Não há consenso.
Mas repare no que a disputa não toca. Nenhuma das versões questiona que o avião se despedaçou em pleno voo, que 27 pessoas morreram, que Vesna Vulović caiu junto com um pedaço da fuselagem e que foi encontrada viva entre os destroços.
Ela nunca entrou na discussão. Quando perguntavam sobre a altitude, respondia que não fazia diferença para ela, porque não lembrava de nada mesmo.
O recorde pode ser dos historiadores. A queda foi dela.
Fontes
- Highest fall survived without parachute, Guinness World Records
Perguntas frequentes
- De que altura Vesna Vulović caiu?
- Segundo o Guinness World Records, 10.160 metros. É o recorde de maior queda sobrevivida sem paraquedas, registrado em 26 de janeiro de 1972 e nunca superado.
- Como ela sobreviveu?
- Ela ficou presa dentro de uma seção da fuselagem, com um carrinho de serviço prendendo seu corpo. Esse trecho caiu sobre uma encosta íngreme coberta de neve e mato, que amorteceu o impacto em vez de pará-lo de uma vez.
- O recorde é contestado?
- A altitude é. Em 2009, dois jornalistas apresentaram uma investigação sustentando que o avião voava bem mais baixo. O Guinness manteve o registro. O que ninguém contesta é que ela caiu de um avião destruído em voo e sobreviveu.
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