A maior explosão provocada pelo homem antes da bomba atômica aconteceu num porto do Canadá em 1917
Dois navios se chocaram em Halifax. Um deles carregava 2.900 toneladas de explosivos. Um telegrafista ficou para trás e mandou uma última mensagem.

Na manhã de 6 de dezembro de 1917, dois navios se aproximaram do estreito que dá acesso ao porto de Halifax, na Nova Escócia, canadense.
O norueguês Imo saía, com pressa e fora da mão. O francês Mont-Blanc entrava, carregado até a borda com material para o esforço de guerra na Europa: ácido pícrico, TNT, algodão-pólvora e barris de benzol empilhados no convés. Cerca de 2.900 toneladas de explosivo.
Os dois se chocaram às 8h45. O impacto foi lento e o dano ao casco, pequeno. Mas o atrito jogou faísca sobre os barris de benzol derramados.
O Mont-Blanc pegou fogo.
Vinte minutos
A tripulação do Mont-Blanc sabia exatamente o que havia no porão. Abandonou o navio imediatamente, remando para a margem oposta e gritando avisos que ninguém, na confusão, entendeu ou creditou.
O navio em chamas ficou à deriva e encostou num píer do bairro de Richmond.
O fogo era espetacular. Trabalhadores pararam para olhar. Crianças a caminho da escola pararam. Moradores foram até a janela, porque dali se via bem.
Às 9h04, o Mont-Blanc detonou.
O que aconteceu
A explosão liberou energia estimada em torno de 2,9 quilotons de TNT. Foi a maior explosão acidental já provocada por seres humanos até então, e permaneceu como referência de comparação até 1945.
O bairro de Richmond deixou de existir. A onda de choque arrancou árvores, entortou trilhos e derrubou construções num raio de mais de dois quilômetros. Um dos âncoras do Mont-Blanc, com mais de meia tonelada, foi encontrado a cerca de três quilômetros de distância.
O deslocamento de água gerou um tsunami que subiu a encosta e arrastou de volta para o mar o que restava da margem, incluindo um assentamento da comunidade Mi'kmaq que ficava ali.
Cerca de 1.800 pessoas morreram na hora. Perto de 9.000 ficaram feridas. Uma quantidade enorme dos ferimentos foi nos olhos, porque as pessoas estavam justamente olhando pela janela quando o vidro estilhaçou. Cerca de 5.900 lesões oculares foram registradas, e cerca de 40 pessoas perderam a visão em definitivo.
Na noite seguinte caiu uma nevasca, uma das piores da década.
O detalhe que amarra tudo
Havia um telegrafista chamado Patrick Vincent Coleman trabalhando na estação ferroviária de Richmond, a algumas centenas de metros do píer.
Um marinheiro avisou a estação sobre o que estava a bordo do navio em chamas. Os funcionários começaram a sair.
Coleman lembrou que um trem de passageiros vindo de Saint John, com cerca de 300 pessoas, estava se aproximando de Halifax naquele momento.
Voltou ao aparelho e transmitiu uma mensagem. A versão registrada nos arquivos diz aproximadamente:
"Pare o trem. Navio de munição pegando fogo e indo em direção ao píer 6. Adeus, rapazes."
O trem parou a tempo, fora do alcance.
Coleman morreu no posto.
O que torna essa história difícil de esquecer é a sequência: ele sabia o que estava chegando, sabia quanto tempo tinha, e usou o tempo para mandar um aviso em vez de correr. A frase final não pede socorro nem se despede da família. Despede-se dos colegas de linha, os telegrafistas do outro lado do fio, que eram quem ia receber.
Fontes
- The Halifax Explosion, The Canadian Encyclopedia
- Halifax Explosion, 1917: arquivos e documentos, Nova Scotia Archives
Perguntas frequentes
- O que causou a explosão de Halifax?
- A colisão entre o cargueiro norueguês Imo e o navio francês Mont-Blanc, em 6 de dezembro de 1917, no estreito que dá acesso ao porto de Halifax. O Mont-Blanc levava cerca de 2.900 toneladas de explosivos e pegou fogo antes de detonar.
- Quantas pessoas morreram?
- Cerca de 1.800 mortos imediatos, número que chegou perto de 2.000 nos meses seguintes, e aproximadamente 9.000 feridos. Cerca de 25.000 pessoas ficaram sem moradia adequada.
- Foi mesmo a maior explosão antes da bomba atômica?
- É a maior explosão acidental provocada pelo homem de que se tem registro confiável antes de 1945. A energia liberada é estimada em torno de 2,9 quilotons de TNT.
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