A lei que tornou obrigatória a vacina contra a varíola foi o estopim. Mas o Rio de Janeiro já vivia as demolições do Bota-Abaixo, e um grupo de militares usou o tumulto para tentar um golpe de Estado.
O relatório da AIEA reconstitui o caminho da cápsula entre 13 e 29 de setembro de 1987: diagnósticos de alergia, um pó azul distribuído como curiosidade e uma mulher que levou os restos de ônibus até a Vigilância Sanitária. O saldo oficial: 249 contaminados e quatro mortos.
Em 1999, dois psicólogos de Cornell descobriram que os piores alunos num teste de lógica se colocavam no 62º percentil quando estavam no 12º. A ideia virou insulto de internet — e uma disputa estatística séria sobre se o efeito existe como bias ou como artefato.
Em 1993, a Nature publicou que dez minutos de uma sonata de Mozart melhoravam temporariamente uma tarefa de raciocínio espacial. A imprensa leu "Mozart deixa mais inteligente". A meta-análise que reuniu tudo encontrou 1,4 ponto de QI — e uma explicação que não tinha nada a ver com Mozart.
A lâmpada centenária de Livermore é real, tem webcam e bateu recorde no Guinness. A explicação para a longevidade dela é menos mágica e mais interessante do que a lenda sobre obsolescência programada.
Dois soldados, duas metralhadoras Lewis e 10 mil balas contra aves que se recusaram a formar alvo. O relatório final do major traz um número redondo demais para ser verdade.
A dama da lâmpada é a versão infantilizada de uma estatística implacável. Ela foi a primeira mulher eleita para a Royal Statistical Society — e usou os números contra si mesma.
Em 26 de setembro de 1983, Stanislav Petrov tinha minutos para decidir. A doutrina soviética mandava revidar imediatamente. Ele não revidou — e foi repreendido por causa do preenchimento do diário.
Mary Mallon foi a primeira portadora assintomática de febre tifoide identificada nos Estados Unidos. E a única a ser trancada até morrer — enquanto centenas de casos idênticos ganhavam emprego e aluguel pagos pelo Estado.
Eyam virou símbolo de sacrifício coletivo. Um estudo de 2016 mediu como a peste se espalhou lá dentro — e o resultado muda o sentido do que aqueles moradores fizeram.
A cena mais contada da história da saúde pública é quase uma lenda. O trabalho que realmente fez a diferença foi outro, envolveu 300 mil pessoas e ninguém conta.
Solomon Shereshevsky foi estudado por 30 anos pelo neuropsicólogo Alexander Luria. A memória sem limite parecia um dom — até ficar claro do que ela o impedia.