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O polvo tem três corações, sangue azul e para de bater um deles quando nada

Não é curiosidade solta: cada um desses detalhes explica por que o polvo prefere rastejar a nadar.

Por Redação Fatos e Relatos2 min de leitura
Polvo-comum (Octopus vulgaris) fotografado no fundo do mar, com os braços recolhidos sobre uma rocha.
NOAA National Marine Sanctuaries — via Wikimedia Commons · Domínio público

A anatomia do polvo costuma ser contada como lista de curiosidades soltas. Ela faz muito mais sentido lida como um sistema — em que cada peça explica a seguinte.

Três corações, com funções diferentes

Dois deles são corações branquiais. Ficam junto às brânquias e têm uma função só: empurrar sangue através delas para que seja oxigenado.

O terceiro é o coração sistêmico. Ele recebe o sangue já oxigenado e o distribui para o resto do corpo.

Sangue azul, e não é enfeite

Nosso sangue é vermelho porque a hemoglobina carrega oxigênio usando ferro. O polvo usa hemocianina, uma proteína baseada em cobre, que fica azulada quando oxigenada.

A troca não é aleatória. A hemocianina é bem menos eficiente que a hemoglobina em condições normais — mas se sai melhor onde o polvo vive: água fria e com pouco oxigênio dissolvido. É uma adaptação ao ambiente, com um custo embutido.

E o custo é alto. A hemocianina circula dissolvida no plasma, em vez de empacotada dentro de células como a nossa hemoglobina. Isso deixa o sangue mais viscoso e exige pressão maior para bombear — que é exatamente o problema que os três corações resolvem.

O detalhe que amarra tudo

Quando o polvo nada por propulsão a jato, o coração sistêmico para de bater.

O mecanismo é mecânico: a natação por jato comprime o corpo, e essa compressão interrompe o batimento do coração sistêmico. O animal fica sem circulação sistêmica enquanto nada.

É por isso que o polvo se cansa absurdamente rápido nadando — e por isso prefere rastejar pelo fundo, usando os braços, mesmo quando nadar seria mais rápido. A fuga a jato é um recurso de emergência, não o modo padrão.

Uma escolha de bioquímica feita para água fria acaba determinando como o animal anda.

E os "nove cérebros"

A frase circula bastante e merece um ajuste. O polvo tem um cérebro central e um gânglio nervoso em cada braço. Dos seus cerca de 500 milhões de neurônios, algo como dois terços estão nos braços, não na cabeça.

Na prática, isso significa que um braço resolve boa parte do trabalho sozinho: tateia, identifica textura e agarra sem precisar de instrução detalhada do centro. O cérebro central dá a ordem geral — pegar aquilo ali — e a execução fica distribuída.

Nove cérebros é força de expressão. Um cérebro que delega é mais perto do que acontece.

Fontes

  1. Octopus Facts — Cephalopod circulatory systemNOAA — National Ocean Service
  2. The Octopus: Physiology and Behaviour of an Advanced InvertebrateM. J. Wells (Springer)
  3. Why octopus arms have a mind of their ownNature

Perguntas frequentes

Por que o sangue do polvo é azul?
Porque ele transporta oxigênio com hemocianina, uma proteína à base de cobre, em vez da hemoglobina à base de ferro que temos. Cobre oxidado é azul; ferro oxidado é vermelho.
Para que servem os três corações do polvo?
Dois corações branquiais bombeiam sangue através das brânquias, onde ele recebe oxigênio. O terceiro, o coração sistêmico, envia esse sangue oxigenado para o resto do corpo.
É verdade que o polvo tem nove cérebros?
É uma simplificação. Ele tem um cérebro central e um gânglio nervoso em cada um dos oito braços. Cerca de dois terços dos seus neurônios ficam nos braços, que processam movimento com bastante autonomia.
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